terça-feira, 28 de junho de 2011

A Guerra do Contestado

A Guerra do Contestado foi um conflito entre a população cabocla e os representantes do poder estadual e brasileiro travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916, numa região rica em erva-mate e madeira disputada pelos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina.
DATA: 12 de Outubro de 1912 a Agosto de 1916
Local: Região do Contestado, Sul do Brasil
Resultado: acordo de limites entre os governos do Paraná e Santa Catarina

COMBATENTES REBELDES COMANDANTES: José Maria de Santo Agostinho, Maria Rosa e Adeodato
BRASIL: Carlos Frederico de Mesquita, Tertuliano Potyguara e Marechal Hermes da Fonseca

FORÇAS REBELDES: 10.000 soldados do Exército Encantado de São Sebastião

FORÇAS BRASIL: 7.000 soldados do Exército Brasileiro e 1.000 civis contratados

BAIXAS REBELDES: 5.000-8.000 entre mortos, feridos e desaparecidos
BAIXAS BRASIL: 800-1.000 entre mortos, feridos e desparecidos
Originada dos problemas sociais, decorrentes principalmente da falta de regularização da posse de terras, e da insatisfação da população miserável, numa região em que a presença do poder público era pífia, o embate foi agravado ainda pelo fanatismo religioso, expresso pelo messianismo e pela crença, por parte dos caboclos revoltados, de que se tratava de uma guerra santa.
A região fronteiriça entre os Estados do Paraná e Santa Catarina recebeu o nome de Contestado devido ao fato de que os agricultores contestavam a doação que o governo brasileiro fez aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company. Como foi uma região de muitos conflitos, ficou conhecida como Contestado, justamente por ser uma região de disputas de limites entre os dois Estados brasileiros.
Em 05 de abril, depois do grande assalto a Santa Maria, o general Estillac registra que “tudo foi destruído, subindo o número de habitações destruídas a 5.000 (...) as mulheres que se bateram como homens foram mortas em combate (...) o número de jagunços mortos eleva-se a 600. Os redutos do Caçador e de Santa Maria estão extintos. Não posso garantir que todos os bandidos que infestam o Contestado tenham desaparecido, mas a missão confiada ao exército está cumprida” (general Estillac). Os rebeldes sobreviventes se dispersaram em muitas cidades.
Em dezembro de 1915, o último dos redutos dos revoltosos foi devastado pelas tropas de Fernando Setembrino. Adeodato fugiu, vagando com tropas no seu encalço. Conseguiu, no entanto, escapar de seus perseguidores e, como foragido, ficou ainda 8 meses escondendo-se pela matas da região. Mas a fome e o cansaço, além de uma perseguição sem trégua, fizeram com que Adeodato se rendesse. Encerrava-se então, em agosto de 1916, com a prisão de Adeodato, a Guerra do Contestado.
Adeodato foi capturado e condenado a 30 anos de prisão. No entanto, em 1923, 7 anos após ter sido preso, Adeodato é morto pelo próprio diretor da cadeia numa tentativa de fuga.
As proporções que a Guerra do Contestado alcançou e a repercussão que teve, são aspectos dignos de nota. Os dados levantados assinalam a participação de mais da metade do exército republicano brasileiro, a utilização de armamento pesado e operações que envolveram o pioneirismo da aviação militar em operações de guerra. As somas também apontam para a morte de aproximadamente 8.000 brasileiros, na grande maioria, sertanejos pobres que viviam na região contestada.
Para entendermos a Guerra do Contestado, precisamos conhecer a História do Contestado, especialmente as transformações ocorridas no final do século XX. Depois do conflito, ocorreu o acerto das divisas e as terras foram loteadas, novos municípios foram criados e chegaram as primeiras escolas, igrejas, delegacias, e toda assistência para o sertão, começando assim, o processo de formação de vilas e povoados, resultando naquilo que somos hoje em termos de sociedade regional.
Deste modo, construímos a História do Contestado, cheia de glórias, alegrias e tristezas, mas viva, presente e representante da cultura do povo desta região. Estudar a história do Contestado é de fundamental importância para o entendimento da identidade cultural, resgate de memórias e preservação da cultura.